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A Poesia de Aldir Blanc

04.05.2020

 Ilustração de Mello Menezes reproduzida no encarte do CD A poesia de Aldir Blanc

Em 2017, no lançamento do disco A poesia de Aldir Blanc — homenagem da cantora lusitana Maria João gravada pelo Selo Sesc — o jornalista José Trajano tentou colocar em palavras a grandiosidade e maestria do compositor.
Hoje, nos despedimos do “Bardo da Muda”, buscando consolo nas palavras de Trajano e acalanto nas canções interpretadas por Maria João.

Aldir, Aldir, Aldir…
O nome dele chacoalhava minha cabeça antes de entregar esse texto.
Aldir, Aldir, Aldir…
Já escreveram tudo sobre ele, o que terei mais a dizer?

“Aldir é compositor carioca, poeta da vida, do amor, da cidade. É aquele que sabe como ninguém retratar o fato e o sonho. Traduz a malícia, a graça e a malandragem. Se sabe de ginga sabe de samba no pé. Estamos falando do ourives do palavreado, estamos falando de poesia verdadeira. Todo mundo é carioca, mas Aldir Blanc é carioca mesmo.” (Dorival Caymmi)
 
Aldir, Aldir, Aldir…

“As crônicas do Aldir têm o sentido trágico de Nelson Rodrigues, o humor pícaro-carioca de Sérgio Porto e o estilo seguro, o respeito pela palavra certa do grande Rubem Braga.” ( Fausto Wolff)

Aldir, Aldir, Aldir…
Maria João devia pensar a mesma coisa. Tanta gente importante gravou músicas dele, como devo fazer?

“Aldir Blanc é uma glória/das letras cariocas/Bom de se ler e ouvir/bom de esbaldar de rir/bom de se aldir.” (Chico Buarque)

Aldir, Aldir, Aldir…

A louca Maria João achou a maneira. Talvez inspirada num trecho do hino do Vasco, time da paixão do cara, ‘és um traço da união Brasil-Portugal’, juntou duos e trios separadamente, todos portugueses, à exceção do pianista André Mehmari e decidiu comemorar do seu jeito peculiar os 70 anos do Aldir, completados ano passado.
Escolheu quatro músicas da parceria dele com João Bosco, quatro com Guinga e três inéditas, duas com o português Carlos Paredes e uma com André Mehmari. E ousou até não poder mais nos arranjos e interpretações.
Com a ginga de Sabará, a petulância de Almir Pernambuquinho, a potência do chute do Pinga, atacantes supercampeões de 1958, Maria João não se intimidou. E mandou ver. O ‘Coco do Coco’ tem acompanhamento apenas de tuba e percussão. A ‘Dois pra lá, dois pra cá’ ganhou roupagem eletrônica. E por aí vai. Cada faixa é surpresa, porrada, estranheza gostosa.
 
Aldir, Aldir, Aldir…
O que vou dizer do ‘Bardo da Muda’, como o chama o grande amigo Edu Goldenberg?
Aldir merecia a emocionante homenagem que vem de Portugal, mas merecia coisa parecida por aqui.
Maria João fez sua parte com ‘A poesia de Aldir Blanc, por Maria João e convidados’. Parabéns a ela e a ele.

Não consigo seguir. A emoção não permite. Forte abraço, velho amigo tijucano.
Aldir, Aldir, Aldir.

José Trajano

O álbum ‘Maria João canta A Poesia de Aldir Blanc’ está no Spotify pra você ouvir e ficar juntinho da poesia eterna e necessária de Aldir Blanc.

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