SESC - Serviço Social do Comércio

Cinevisões do Futuro

14.12.2020

Frame do filme 'Cyber Cuíca', produzido pelo Cavalo Marinho Audiovisual
Frame do filme ‘Cyber Cuíca’, produzido pelo Cavalo Marinho Audiovisual

Imagens_Arquivos é um projeto do Sesc Avenida Paulista composto por ações formativas e desenvolvimento de experimentação artística em audiovisual. Propondo uma análise histórica e teórica sobre a produção de filmes de arquivo, contemplou a realização de um curso, um grupo de estudos, três bate-papos online e ainda a produção de uma obra audiovisual inédita, “Cinevisões de Futuro”, que teve como ponto de partida as imagens produzidas no Sesc Avenida Paulista desde sua inauguração, em 2018.

O filme de arquivo foi eleito como foco da ação por tratar-se de um formato essencialmente condizente com o momento da pandemia de COVID-19, no qual o uso de material de arquivo é mais seguro do que a reunião de uma equipe para produção de novos conteúdos audiovisuais. Concomitantemente, no atual contexto de pausa/isolamento, que fomenta a autorreflexão, o filme de arquivo é pertinente por invariavelmente revisitar o passado – no exercício de um olhar que se debruça sobre conteúdos já registrados – ao mesmo tempo em que aponta para o futuro propondo novas leituras e significados para as imagens analisadas.

As ações do projeto foram:

– Curso online Filme de Arquivo,ministrado por Caio Lazaneo, Priscyla Bettim e Renato Coelho, de 15/8 a 12/9.

– Três bate-papos online, exibidos no canal do YouTube do Sesc Avenida Paulista, com o tema Filme de Arquivo, com os convidados: Adirley Queirós (em 19/9), Cristina Amaral (em 26/9) e Carlos Adriano (em 3/10).

– Cinevisões do Futuro, grupo de estudos com Cavalo Marinho Audiovisual, Coletivo Coletores e Coletivo Gleba do Pêssego, que ao final, produziram o filme de arquivo intitulado “Cinevisões do Futuro”, como trabalho de encerramento.
 

Frame do filme ‘E Quando Chegarmos ao Mirante?’, produzido pelo Coletivo Gleba do Pêssego


“Cinevisões do Futuro” começou como um grupo de estudos/processo de criação que fomentou as discussões para a realização de um conteúdo audiovisual assinado pelos coletivos envolvidos. A partir de análises e discussões de textos, filmes e trocas de experiências, com ênfase na utilização de materiais de arquivo, o grupo serviu como ponto de partida para a produção do filme “Cinevisões do Futuro”.

Tendo como proposta uma reflexão sobre o futuro, a partir de imagens de arquivo do Sesc Avenida Paulista, o processo de criação teve oito encontros online, com participação dos coletivos envolvidos e provocações de Caio Lazaneo, Priscyla Bettim e Renato Coelho, da Cinediário Produções, presentes em todos os encontros. Contou ainda com falas especiais pontuais dos convidados Adirley Queirós, Carlos Adriano e Cristina Amaral.

Durante os encontros online, os coletivos aprofundaram a pesquisa do material de arquivo do Sesc Avenida Paulista por meio de uma série de discussões sobre as imagens, abordando as escolhas artísticas e políticas dos registros audiovisuais analisados. Durante esse processo, definiram o escopo do trabalho de criação do filme “Cinevisões do Futuro” e estabeleceram seu formato – um filme único dividido em 3 episódios individuais. Depois passaram a se dedicar efetivamente à articulação de imagens e sons, que continuou após o término dos encontros, seguindo até a finalização do filme.


Assista aqui a obra “Cinevisões do Futuro”:

Os coletivos:

Além de apresentar a história de cada grupo, perguntamos: Como foi trabalhar com material de arquivo para produzir um filme que mira o futuro? E como foi partir de um acervo de imagens tão recentes (captadas a partir de 2018)?

Gilberto e Thais, da Cavalo Marinho Audiovisual | Foto: Divulgação


Cavalo Marinho Audiovisual é uma produtora que nasceu em 2006 na periferia de São Paulo e Diadema, fundada pelos diretores Gilberto Caetano e Thais Scabio, que se conheceram nos coletivos Núcleo Com Olhar e Mascate Cineclube. A Cavalo Marinho Audiovisual tem como foco a realização de projetos criativos, que valorizam questões de gênero e étnico, além de formação nas linguagens do audiovisual. Em sua história coleciona prêmios, entre eles, o de Melhor Animação Brasileira, no Festival Internacional Animamundi de 2013, por voto popular, com a animação “Graffiti Dança”; Melhor Filme Infantil, no 13º Goiânia Mostra Curtas, e finalista no 12º Festival Internacional de Cinema Infantil, com o filme “Caixa d´água”; Melhor Filme de Ficção, na V Mostra de Cinema Negro de Mato Grosso, com “Barco de Papel”, entre outros.

Para nós foi um grande desafio, porque foi a primeira vez que fizemos um filme somente com imagens de arquivos e ainda para falar do futuro. Pesquisamos muitos materiais nas redes sociais até nos depararmos com a série #OlharesSobreSP. Todos os coletivos gostaram desse arquivo e resolvemos trabalhar juntos com ele. O difícil foi fecharmos um roteiro, tivemos várias ideias, mas, depois de conversar com o Adirley Queiroz, a Cristina Amaral e o Carlos Adriano, entendemos que deveríamos trazer nossa visão e nossa experiência no audiovisual para dentro do trabalho com arquivo e resolvemos experimentar a ficção científica.

 

Toni e Flávio, do Coletivo Coletores | Foto: Divulgação


Coletivo Coletores é um coletivo de arte/intervenção urbana formado em 2008, na periferia da zona leste da cidade de São Paulo, pelos artistas Toni Baptiste e Flávio Camargo. Tem como proposta trabalhar a cidade como meio e suporte para suas ações, a partir de conceitos como arte e jogo, arquitetura do precário, design social, arte interativa, arte relacional, além do trânsito entre diversas linguagens. Tem um histórico de ações realizadas em muitas comunidades, além de projetos em parceria com a Fundação Bienal de Arte de São Paulo, Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Dakar (Senegal), FILE – Festival internacional de linguagem eletrônica, FONLAD FESTIVAL – Festival On Line de Artes Digitais (Portugal), entre outros.

Para nós, do Coletores, a relação entre tempo e espaço é algo recorrente e de extrema importância para nossa produção poética, enxergarmos este processo como um caminho de descoberta e de preservação de memórias e identidades individuais/coletivas, assim como ferramentas de reflexão sobre diferentes comunidades e territórios. Neste sentido, acreditamos que para pensar um futuro novo e positivo, é de extrema importância olhar para as raízes e matrizes que nos rodeiam e nos fundamentam. O arquivo, a memória e o conhecimento são frutos de percursos e experiências de nossos contemporâneos e de outrxs que nos antecederam. Olhar para esses arquivos, quer sejam eles de passados recentes ou de gerações anteriores, nos sinalizam como podemos refletir, aprender e sonhar. Um acervo, um banco de dados, uma biblioteca, um xamã ou uma Mãe de Santo são fontes de vida. Durante o período de pesquisa e produção do projeto Cinevisões do Futuro vivenciamos tudo isso na prática, o que agregou e impactou diretamente todas as decisões tomadas dentro e fora do filme que criamos.

 


Coletivo Gleba do Pêssego | Foto: Divulgação


Coletivo Gleba do Pêssego é um coletivo de realizadores audiovisuais formado por jovens LGBTQIA+ oriundos das periferias da Grande São Paulo. O grupo se reuniu por meio da Turma XI do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias e uma das marcas de seu trabalho é o processo de criação compartilhado pela equipe. Assinam os curtas “Translúcidos” (2015), “Menarca” (2017) e o premiado “Bonde” (2019), dentre outros trabalhos. Os integrantes que participaram deste projeto foram Guilherme Candido, Leonardo Domingos e Tatiane Ursulino.

Falar do futuro é sempre um desafio. Foi muito gratificante quando recebemos o convite do Sesc Avenida Paulista para que a Gleba pudesse olhar para a trajetória visual da Unidade através deste trabalho de arquivo de imagens, uma vez que estivemos presentes no início dessa construção, quando participamos do Explode! Av. Paulista, em 2018, uma das atrações do evento de reabertura do prédio. “E quando chegarmos ao Mirante?” foi fruto de muitas discussões e pesquisas vindas de encontros online entre nós da Gleba do Pêssego, do Coletivo Coletores e do Cavalo Marinho Audiovisual, proporcionados pela Cinediário. Olhar para um banco de imagens é uma sensação semelhante a de procurar respostas em um Oráculo, quanto mais perguntas pensávamos em fazer para o arquivo de imagens do Sesc, mais perguntas esse acervo nos mostrava. O primeiro passo foi olhar para o Instagram do Sesc Avenida Paulista e perceber uma postura publicitária no feed da instituição, onde tivemos dificuldades de nos encontrar. Logo em seguida, identificamos a presença de diversos personagens interessantes, ao entrarmos em contato com o projeto #OlharesSobreSP, no YouTube, onde convidados importantes da cena cultural da cidade subiram ao Mirante do Sesc para contarem sua história. Indagamos o que significava subir ao Mirante para ver a cidade, entendendo quais corpas tinham a possibilidade de chegar tão alto e qual São Paulo era possível se ver da Av. Paulista. Identificamos aí, três personagens importantes, que eram do interesse da Gleba ajudar a subir no Mirante: Ave Terrena, Rico Dalasam e Jerá Guarani. Para fazermos parte do mesmo cosmos que essas pessoas, optamos por acessar o espaço do Sesc Avenida Paulista, que se encontrava vazio por conta da pandemia e respeitando as recomendações da OMS, gravamos espaços da Unidade outrora ocupados por pessoas. Por se tratar de um acervo muito recente, optamos por nos aproximar ainda mais do arquivo, utilizando nossas próprias vozes e imagens através de inserts de trechos das reuniões online de criação do projeto. Criamos uma voz dentro do espaço cultural que é o Sesc, elencando falhas, potenciais e novas possibilidades de caminhar e de ser através da trajetória pelo espaço em busca do Mirante, perguntando o que é o espaço sem seu público, assim como quais corpas transitam por seus andares.

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