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Destinar o lixo de maneira responsável ajuda a dar dignidade para outras pessoas

12.06.2020

Instalação À Deriva, de Jaime Prades, no Sesc Pompeia, composto por várias garrafas plásticas com um barco sobre. Gerando reflexão sobre a produção de resíduos e o descarte nos rios, mares e oceanos - Foto: Lúcio Érico
Instalação À Deriva, de Jaime Prades, no Sesc Pompeia. Composta por várias garrafas plásticas e um barco, gera reflexão sobre a produção de resíduos e o descarte nos rios, mares e oceanos – Foto: Lúcio Érico

A cada dia que passa ouvimos e lemos notícias sobre os “heróis das cidades”, pessoas que mantêm os serviços básicos em funcionamento apesar das medidas de contenção do novo coronavírus. Diversos grupos de profissionais continuam com seus trabalhos presenciais, dando suporte para que a população tenha acesso às necessidades básicas de saúde, alimentação, segurança pública e qualidade ambiental. Um exemplo é o trabalho feito por toda uma cadeia de prestadores de serviços ligados à limpeza urbana, que traduzem o conceito de urbanidade por meio de suas ações.

A limpeza urbana e a coleta seletiva de resíduos desempenham um importante papel social se configurando como serviços que diminuem impactos socioambientais. Nesta cadeia destaca-se o trabalho desenvolvido por garis, carroceiros, cooperativas e instituições de catadores de materiais recicláveis que realizam o trabalho de triagem e destinação responsável destes materiais, evitando a sobrecarga dos aterros sanitários e mitigando efeitos da poluição.

Devido à situação de emergência sanitária, em algumas cidades do interior paulista e da região metropolitana de São Paulo, a coleta seletiva permanece, mas de forma reduzida. Grande parte das trabalhadoras e trabalhadores desse setor foram classificados como  “grupo de risco” e para sua proteção, foram afastados do trabalho.

Na capital paulista, atualmente a coleta seletiva está reduzida, com a interrupção momentânea do trabalho de cerca de 25 cooperativas. Veja estudo feito pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) sobre a situação do funcionamento da coleta seletiva no Brasil.

Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, a estimativa é que existam cerca de 800 mil catadores e catadoras em atividade no país que são responsáveis pela coleta de 90% de tudo que é reciclado hoje no Brasil. Porém, como muitos destes catadores são autônomos e não possuem um registro oficial, este número pode variar entre 200 mil a 1 milhão de pessoas – todas sobrevivendo da coleta de materiais recicláveis.

As Cooperativas de catadores foram criadas com o intuito de fortalecer o trabalho em grupo, gerar maior renda e favorecer a inclusão social. Em linhas gerais, o trabalho pode ser sintetizado por coleta, triagem, prensagem e venda. Para que uma cooperativa possa ter um bom desempenho profissional, social e econômico, entende-se que algumas ferramentas são itens básicos para o trabalho, tais como, prensas, balanças, carrinhos, esteiras de triagem, empilhadeira, caminhões para transporte e galpões próprios, além de capacidade de ampliação, visando absorver novos catadores e a obtenção de uma renda mensal justa e benefícios trabalhistas garantidos. Porém, a realidade brasileira nos mostra que muitas cooperativas não possuem equipamentos e galpão próprios, necessitam de apoio financeiro para adquirir a maioria dos instrumentos necessários ao trabalho (coletivos e de uso pessoal) e a renda mensal de cada cooperado é muito baixa.

Diante do cenário de isolamento social, os problemas socioeconômicos  vivenciados por estes grupos se agravou. Por isso foram criadas e fortalecidas algumas redes de apoio às cooperativas como o Fundo Nacional de Solidariedade aos catadores, para garantir renda e investimentos de proteção e segurança, e a campanha de Solidariedade aos catadores do Brasil.

Esta situação nos permite refletir que é importante fortalecer o trabalho das pessoas que atuam nesta área. Hoje estes grupos recebem apenas pelo que arrecadam com a venda dos materiais, porém a atuação envolve transporte dos materiais, triagem e destinação responsável, portanto, um trabalho muito complexo.

Assista ao depoimento de Telines, representante da Coopercaps, cooperativa de coleta seletiva localizada na Zona Sul de São Paulo, sobre o trabalho desenvolvido pelos cooperados na cidade e os efeitos da pandemia: 

Devemos nos mobilizar enquanto cidadãos, empresas, coletivos, ONGs e instituições para firmar acordos com as cooperativas buscando a inclusão social, tratando estes grupos como empresas que prestam um importantíssimo serviço ambiental. Além do apoio socioeconômico, é possível adotar algumas medidas para diminuir os riscos de contaminação. Conheça algumas orientações feitas pela Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais:

1. Procure acondicionar seus resíduos comuns de maneira adequada, isto é, com uso de sacos duplos (um dentro do outro) devidamente amarrados, para evitar derramamentos, e disponibilize-os para a coleta da limpeza urbana nos dias e horários praticados em cada localidade.

2. As máscaras e luvas descartáveis devem ser descartadas preferencialmente no lixo do banheiro e nunca juntos aos materiais recicláveis. Nos casos em que não houver nenhuma suspeita de contaminação por Covid-19, deve ser mantida a separação dos resíduos para coleta seletiva.

Somos responsáveis pelo resíduos que geramos e, sempre que possível, é importante pensar em maneiras de promover um consumo responsável. Neste período de pandemia vale reforçar a importância da dedicação daqueles que tiverem condição de guardar os resíduos recicláveis para entregar às cooperativas no momento mais seguro.

Pensando nessa responsabilidade que temos com nossos resíduos, além de destinar os materiais recicláveis para coleta seletiva, o que podemos fazer com resíduos orgânicos que geramos em casa, como as cascas de fruta, por exemplo?

O agente de educação ambiental do Sesc Santos, Gustavo Faria, ensina como transformar os resíduos orgânicos em adubo, por meio da compostagem doméstica:

Ideias e Ações para um Novo Tempo

Desde 2016, o projeto Ideias e Ações para o Novo Tempo mapeia, nos territórios onde as Unidades do Sesc SP estão inseridas, iniciativas socioambientais focadas na  valorização da comunidade e no desenvolvimento local, sob a perspectiva da educação para sustentabilidade. Estas iniciativas são convidadas a serem parceiras do Sesc SP na realização de ações educativas e participação em espaços de encontro para a troca de conhecimentos e saberes, sendo protagonistas em seminários, cursos, vivências, rodas de conversa, oficinas, mostras e visitas mediadas.

No intuito de dar visibilidade a esses exemplos e, principalmente, trazer referências para o debate e a mobilização das pessoas, o Sesc SP desenvolveu o  webdocumentário “Ideias e Ações para um Novo Tempo”, que inspirado no projeto de mesmo nome, traz uma diversidade de depoimentos de representantes de iniciativas socioambientais e especialistas.

Destacamos a Cooperativa de Catadores Seletivos Parque Cocaia – Cooperpac. Valorizando os princípios da economia solidária, a cooperativa busca proporcionar atividades remuneradas a jovens e adultos com dificuldade de ingresso no mercado de trabalho. A proposta é fornecer o serviço de coleta seletiva, atendendo os bairros da Zona Sul de São Paulo: Grajaú, Parque Cocaia, Cantinho de Céu, Jardim Gaviota, Noronha, Três Corações e Jardim Chácara do Sol.

Assista abaixo ao webdocumentário e conheça mais sobre estas iniciativas que propõem modos de viver mais sustentáveis:

Veja o webdocumentário com Legenda Closed Caption

Veja o webdocumentário com Audiodescrição 

Veja o webdocumentário com LIBARAS E LSE

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