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Literatura Livre: histórias de povos que ajudaram a formar o Brasil agora estão ao alcance de todos

18.12.2020

Africanos, europeus, asiáticos, árabes, judeus… Ao longo dos séculos, o Brasil tem acolhido pessoas de toda parte do mundo – cada uma trazendo consigo histórias que criaram a identidade de seu povo. Algumas dessas narrativas ganharam tradução para o português e estão reunidas no projeto Literatura Livre, que o Sesc São Paulo lança a partir de 22 de dezembro. 

A iniciativa disponibiliza gratuitamente na Plataforma Sesc Digital uma coleção de obras originárias de povos que contribuíram para a formação do povo brasileiro. Ao todo são 14 e-books, que trazem desde contos folclóricos africanos até textos fundadores das culturas japonesa e árabe, com novelas escritas por judeus em alemão, poloneses em inglês e as vivências de uma imigrante chinesa nos Estados Unidos.

Clássicos como o “Coração das trevas” (1899), de Joseph Conrad, e “As viagens de Gulliver” (1726), de Jonathan Swift, evocam o sentimento de deslocamento – tão pulsante em quem vem de fora – e contam o que é ser um “estranho no ninho” buscando integração ou lutando para preservar suas tradições. Já volumes como as “Crônicas do Japão” (720), de Ō-no-Yassumaro e príncipe Toneri, resgatam elementos fundadores de um país e lidam com a faceta da saudade da pátria-mãe. Por sua vez, os “Contos folclóricos africanos” Vol. 1 e 2 (1901-1012), que trazem narrativas orais de povos nativos coletadas por colonizadores brancos, provocam uma reflexão sobre as contradições entre preservação e apagamento. 

O download dos títulos estará disponível nos formatos ePub, PDF e Kindle (compatíveis com todos os dispositivos, do computador aos celulares, tablets e leitores digitais) no endereço sescsp.org.br/literaturalivre. Cada volume é sempre bilíngue: além da tradução do texto para o português, o leitor encontra também o original em seu idioma.

Embora esses autores e suas obras já estivessem em domínio público, restava ainda o obstáculo da tradução a ser vencido: os originais existiam apenas em inglês, alemão, árabe, japonês. O Literatura Livre surgiu para suprir essa lacuna, garantindo a leitoras e leitores o acesso gratuito a esses textos em português, com o olhar de tradutores especializados para cada título, além de ilustrações inéditas. 

Agora, públicos de todas as idades poderão conhecer, identificar ou redescobrir raízes de povos que fazem parte da diversa sociedade brasileira e que contribuíram de forma imensurável para a formação de nossos costumes, culinária, língua, arte, pensamento e laços afetivos. 

A produção ficou a cargo do Instituto Mojo de Comunicação Intercultural e as ilustrações foram criadas por André Ducci, ilustrador curitibano que colabora com publicações do Brasil e do exterior.

No dia 22 de dezembro, a série estreia com 6 obras e, em janeiro e fevereiro, novos títulos serão adicionados, compondo uma biblioteca permanente de 14 livros. 

Conheça a seguir os volumes disponíveis a partir de 22/12, seus autores e tradutores:

Contos folclóricos africanos – Vol.1
de Elphinstone Dayrell, George W. Bateman e Robert Hamill Nassau

Títulos originais:
The Folk Tales From Southern Nigeria (1910)
Zanzibar Tales (1901)
Where Animals Talk (1912)

Edições Português/Inglês

Sinopse:

A África é o berço da civilização e essa seleção de contos celebra sua cultura e influência, tão ricas e diversificadas quanto o próprio continente. Na África setentrional, as histórias de sultões e seres mágicos deixam entrever a influência moura; nas florestas do Congo, sociedades de animais cuja inteligência sobrepuja à do ser humano; nas ilhas orientais, as alegorias morais das antigas civilizações tribais. Contos folclóricos africanos reúne histórias coletadas por exploradores, governantes e missionários europeus, em sua maioria contadas diretamente pelos nativos. São narrativas transmitidas verbalmente, de geração em geração, por provavelmente centenas de anos. Os contos revelam o folclore, as crenças e os códigos de ética africanos.

Autores:

Elphinstone Dayrell (1869-1917), George W. Bateman (1850-1940) e Robert Hamill Nassau (1835-1921), os três autores selecionados para este volume, fazem parte de um movimento em comum. São três esforços individuais para a preservação de culturas locais ameaçadas pela colonização europeia. Ironicamente, as pessoas que se dispuseram a essa preservação eram oriundas das mesmas instituições que suprimiram tais culturas — um governador britânico, um explorador a serviço da coroa inglesa e um missionário dos EUA. No entanto, há também um dualismo moral nesses esforços. Não fosse pela coleta e publicação dessas histórias, elas poderiam se perder no tempo, pois as tribos africanas as perpetuavam apenas pela tradição oral.

Tradutor:

Gabriel Naldi é tradutor, revisor, publicitário e editor no Instituto Mojo de Comunicação Intercultural. Formado em publicidade e propaganda pela Universidade Metodista e pós-graduado em Tradução pela Estácio de Sá, Gabriel Naldi possui ampla experiência em planejamento estratégico para ações digitais, em agências de propaganda, empresas e portais. Foi revisor de textos para emissoras e empresas como Petrobras, Band, TV Tribuna, TCE Pará e TCU. Desde 2013, atua como tradutor e revisor de texto, localização de websites, redação publicitária, marketing e tradução literária.

Coração das trevas, de Joseph Conrad
Título original: Heart of Darkness (1899)

Edição Português/Inglês

Sinopse:

A obra talvez seja a análise mais profunda já feita sobre a comunicação intercultural e seus possíveis resultados: a relação dominador versus dominado se inverte e se subjetiva no relato da viagem do jovem Charles Marlow ao coração do continente africano. Sua longa jornada rumo às estações de exploração de marfim da Companhia é regada de histórias sobre Kurtz, o homem mais respeitado dentre os europeus em território virgem, conhecido por ser sábio e justo. Com o passar do tempo, Marlow passa a ver mais humanidade nos nativos do que no enaltecido Kurtz.

Autor:

Joseph Conrad (1857-1924) nasceu em Berdichev, na Ucrânia, então parte do Império Russo. Filho de uma família polonesa, Conrad se tornaria um renomado autor de contos e novelas em inglês. Em 1869, seus pais morreram de tuberculose, o que o levou a morar com o tio na Suíça. Aventurou-se no trabalho náutico, em que colheu suas referências para obras posteriores, como O agente secreto e Coração das Trevas.

Tradutor:

Ricardo Giassetti é consultor em cultura participativa, remix e inovações digitais. Transitou pelos mercados editorial, jornalístico, publicitário e audiovisual em seus trinta anos de carreira. Criou metodologias para localização cultural para regiões como União Europeia e América Latina, assim como para países tais quais China, Índia e Estados Unidos. Autor de Gunned Down – Down the River (EUA, 2005) e O catador de batatas e o filho da costureira (Brasil-Japão, 2008). É fundador da Mojo (2006) e do Instituto Mojo de Comunicação Intercultural (2018).

Crônicas do Japão, de Ō-no-Yassumaro e príncipe Toneri

Título original: Nihonshoki (720)

Edição Português/Japonês

Sinopse:

Os textos desta obra têm suas origens em histórias orais. Escritos originalmente em chinês, fato que reflete a influência dessa civilização sobre o povo japonês, foram compilados em 720 por ordem da corte imperial. O objetivo era fornecer ao Japão uma história capaz de fazer frente aos anais dos chineses. Compilados por Ō-no-Yasumaro e pelo príncipe Toneri-no-miko, os textos mesclam lendas, mitos e a genealogia da família imperial. Importante fonte do pensamento Shintō e da história das primeiras famílias imperiais, Crônicas do Japão narra, por exemplo, a introdução do budismo no país e a Reforma Taika ocorrida no século 7.

Autores:

Ō-no-Yassumaro (?-723), ou 太 安万侶, era membro da nobreza japonesa, burocrata e cronista. Era provavelmente filho de Ō no Honji (多 品治), que participou da Guerra Jinshin (672). Famoso por compilar e editar o Kojiki, a mais antiga obra japonesa conhecida, uma encomenda da Imperatriz Genmei, provavelmente também teve papel de destaque na compilação do Nihonshoki, concluído em 720. Já o príncipe imperial Toneri-no-miko  (舎人親王, 676-735) era filho do Imperador Tenmu. Viveu no início do período Nara, quando ganhou poder político como líder da família ao lado do príncipe. Foi o supervisor da compilação do Nihonshoki.

Tradutora:

Lica Hashimoto é mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) e doutora em Literatura Brasileira pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira também pela FFLCH-USP. Bolsista do Ministério da Educação do Japão com especialização em Língua e Cultura Japonesas pela Universidade de Waseda (Tóquio) e do Programa de Treinamento de Professores estrangeiros de Língua Japonesa da Fundação Japão, organização vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. É docente de Literatura Japonesa no curso de Letras Japonês e no Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa. Autora de artigos e livros de temas relacionados à Língua e Literaturas Japonesa e Brasileira. Em sua carreira, Lica traduziu dezenas de obras da literatura japonesa, desde clássicas até contemporâneas.

El Zarco, de Ignacio Manuel Altamiro

Título original: El Zarco (1901)

Edição Português/Espanhol

Sinopse:

A América Latina é o cenário de uma história cíclica de pobreza, violência policial, preconceito, racismo, corrupção, arbitrariedades, territórios dominados por milícias e populações inteiras aterrorizadas pelo crime. Em El Zarco, o mexicano Ignacio Manuel Altamirano apresenta esses elementos e suas correlações. Nessa história, o esplendor da natureza da bucólica Yautepec do século 19 é o cenário para o quadro de caos social no qual vivem seus moradores. Os pobres sofrem nas mãos dos grupos criminosos, que intimidam, sequestram ou matam pessoas em nome dos seus interesses, e nas mãos do Estado, que representa uma ameaça real à liberdade e à vida dos cidadãos que não se curvam às suas arbitrariedades. É nesse ambiente que se desenvolve uma trama em que o caráter de um homem perverso, mesquinho e vulgar, de pele clara e olhos azuis, é contraposto à honradez, nobreza e justiça personificadas em um índio de pele morena.

Autor:

Ignacio Manuel Altamirano (1834-1893) foi um advogado, escritor, jornalista, professor e político mexicano. Escreveu vários livros de sucesso em sua época e cultivou o conto, a crítica e a história, com trabalhos em forma de ensaios, crônicas, poesia, novelas e biografias. Colaborou em algumas das principais publicações da época. Também foi fundador de alguns dos mais conhecidos jornais e revistas mexicanos, dentre eles El Correo de México, El Renacimiento, El Federalista, La Tribuna e La República. Suas obras retratam a sociedade mexicana da época, com destaque para Clemencia (1869), La Navidad en las montañas (1871) e El Zarco (póstuma).

Tradutor:

Renato Roschel é editor, escritor, tradutor e jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo e colaborou no jornal Valor Econômico. Foi correspondente da Rádio Eldorado em Londres. Editou a última versão impressa da Enciclopédia Barsa e participou de sua padronização e transposição para o meio digital. Atuou como editor na Revista Osesp e participou da produção de inúmeros livros para PubliFolha, Planeta Internacional, Oxford University Press e Quatro Cantos. Publicou textos em livros da PubliFolha e da Editora Planeta. É formado em Filosofia pela PUC-SP, estudou Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) e tem especialização em Economia pela Birkbeck, University of London. Fez mestrado em Filosofia na USP.

O Leviatã, de Joseph Roth

Título original: Der Leviathan (1938)

Edição Português/Alemão

Sinopse:

A obra conta a história de Nissen Piczenik, um judeu do distante vilarejo de Progrody que vive como vendedor de colares e adornos feitos de corais. Homem honesto e comprometido com seu ofício — criar e comercializar suas belas “joias vivas” —, Piczenik nunca ousou sair de sua vizinhança. Porém, seduzido pelo antigo desejo de conhecer o mar, ele mergulha em uma aventura ao desafiar sua rotina e deixar para trás tudo aquilo que cultivou até então: sua freguesia e seu impecável artesanato. A breve ausência coincide com a chegada de um novo comerciante, um húngaro que milagrosamente vende corais mais belos e baratos. Assim, toda uma vida de comedimento se transforma em tragédia.

Autor:

Joseph Roth (1894-1939) foi jornalista e escritor. Nasceu na Áustria e ficou conhecido pela saga da família Radetzky March (1932), sobre o declínio e queda do Império Austro-húngaro. As migrações judaicas tiveram destaque nas obras Job (1930) e em seu ensaio Juden auf Wanderschaft (1927), que aborda as perseguições ao seu povo após a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa (1917).

Tradutor:

Luiz Krausz é professor doutor em Literatura Hebraica e Judaica na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP). Pós-doutor e doutor em Literatura e Cultura Judaica pela USP, com estágio de pesquisa na Universidade Livre de Berlim. Mestre em Letras Clássicas pela Universidade da Pensilvânia, com tese escrita na Universidade de Zurique sob orientação do Prof. Dr. Walter Burkert (1992). Luiz Krausz foi aluno especial do Jewish Theological Seminary of America e da Columbia University nas áreas de Literatura Bíblica e Literatura Clássica. Em 2013, Krausz recebeu o Prêmio Jabuti pela tradução da obra Retrato da mãe quando jovem, de Friedrich Christian Delius. Entre seus trabalhos como tradutor estão obras como A canção dos Nibelungos; A pianista, de Elfriede Jelinek; e As mais belas histórias da Antiguidade Clássica, de Gustav Schwab.

Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

Título original: Gulliver’s Travels (1726)

Edição Português/Inglês

Sinopse:

Obra mais famosa de Jonathan Swift, Viagens de Gulliver é um genial tratado de filosofia política. Em suas viagens, o personagem conhece diferentes regimes políticos e os analisa profundamente. Tudo isso é feito “com a pena da galhofa” e é exatamente essa capacidade que tornou Gulliver um personagem polêmico e sucesso imediato. Na narrativa, Swift dispara sua fúria satírica contra a ciência, a sociedade, a economia, o comércio e a política de seu tempo. Até mesmo a decisão de escrever em formato de relato de viagem é uma resposta sarcástica ao sucesso que a obra Robinson Crusoé conquistava na época. Swift influenciou autores como George Orwell (1903-1950) e os brasileiros Machado de Assis (1839-1908) e Monteiro Lobato (1882-1948).

Autor:

Jonathan Swift (1667-1745) foi um ensaísta e ativista político (primeiro pelo partido dos Whigs, depois pelo dos Tories), poeta e clérigo que se tornou diácono da Catedral de St Patrick, em Dublin, na Irlanda. É classificado na Encyclopædia Britannica como o principal satirista em língua inglesa. Originalmente publicou todas as suas obras sob pseudônimos como Lemuel Gulliver, Isaac Bickerstaff e M. B. Drapier, ou anonimamente.

Tradutor:

Renato Roschel é editor, escritor, tradutor e jornalista. Trabalhou na Folha de São Paulo e colaborou no jornal Valor Econômico. Foi correspondente da Rádio Eldorado em Londres. Editou a última versão impressa da Enciclopédia Barsa e participou de sua padronização e transposição para o meio digital. Atuou como editor na Revista Osesp e participou da produção de inúmeros livros para PubliFolha, Planeta Internacional, Oxford University Press e Quatro Cantos. Publicou textos em livros da PubliFolha e da Editora Planeta. É formado em Filosofia pela PUC-SP, estudou Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) e tem especialização em Economia pela Birkbeck, University of London. Fez mestrado em Filosofia na USP.

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