SESC - Serviço Social do Comércio

Nós Mulheres: Caminho ancestral

30.09.2021

A playlist “Caminho ancestral” percorreu sonoridades e artistas brasileiras que destacam a importância de marcarmos a história com as vozes e memórias ancestrais, com os olhos das que estavam aqui antes de 1500. Aperte o play e leia o texto da curadoria.

Por Gabriella Rancan*

A crise causada em função da pandemia de Covid-19 escancarou, ainda mais, a gritante desigualdade socioeconômica existente no país, bem como as inúmeras e incontáveis violências cometidas cotidianamente contra as mulheres. O quadro que vemos hoje não é ao acaso e tem suas raízes históricas no processo colonialista e patriarcal, de invasão das terras e corpos dos povos originários e escravização da população negra. O colonialismo se perpetuou e ainda se perpetua a partir de um projeto racista, patriarcal, transfóbico, heteronormativo e genocida que articula a morte de corpos, mentes e existências.

Os ataques são materiais, subjetivos e espirituais. É uma longa trajetória de lutas e resistências individuais e coletivas. A playlist “Caminho ancestral” percorreu sonoridades e artistas brasileiras que destacam a importância de marcarmos a história com as nossas vozes e memórias ancestrais, com os olhos das que estavam aqui antes de 1500 e que foram e continuam sendo violentadas desde as invasões, com os corpos das que foram sequestradas de seus países de origem para serem escravizadas no Brasil, com os tambores e raízes das culturas e religiões de matriz africana que veem a realidade de forma ampliada e integrada, com os ecos das mulheres trans que têm sua existência negada até hoje, com a ressignificação dos discursos opressores como potência vinda das fogueiras que queimaram muitas de nós, com os nossos afetos, coletividades, magias, feitiços e amores e pela afirmação constante e diversa de nossos poderes por sermos mulheres.

A construção da musicalidade se apresentou aqui como um mapa que conecta passado, presente e futuro e costura um caminho escrito, vivido e ecoado pelas que vieram antes, o qual potencializa as histórias contra coloniais do hoje e do amanhã. Que essas mulheres, seus cantos, vozes, composições e instrumentalizações possam te guiar em um percurso sonoro de fortalecimento, luta, resistência, reflorestamento, esperança e cura coletiva e ancestral. Sou porque nós somos. Nós, tantas outras!

*Gabriella Almeida Rancan é mestra em Sociologia. Entende a música como um instrumento potente de transmutação, prazer e resistência. Trabalha como animadora cultural na área de Diversidade Cultural, Teatro e Circo do Sesc Campinas.

>>> Esta playlist integra o projeto “Nós tantas outras”. Saiba mais aqui.

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