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Quem não respira, morre lentamente

08.06.2020

Por Fabiano Maranhão*

Quando falta o ar, é tempo de assunção; não se trata do devir, é o agora.

George Floyd foi sufocado até a morte pelo peso de um homem branco. Todavia, não se trata apenas de um homem branco, e sim, de tudo o que ele representa, neste caso, um agente fardado legitimado pelo Estado.

Falar do sufocamento vivido pela população negra é falar de questões estruturais e de todo apagamento histórico engendrado para manutenção de poder da branquitude.

A branquitude, enquanto lugar de privilégios simbólicos, subjetivos e materiais, tem o poder de decisão, o poder de falar continuamente, muitas vezes sem ouvir. Como romper com esse sistema? Como aprender e ensinar negros e brancos, sem melindres, que o comando, o poder e o prestígio branco não é natural?

Desnaturalizar o olhar poder ser o primeiro passo – e isso se dá na relação, na troca e na escuta verdadeira.

A subjetividade das diferentes realidades não pode servir como defesa para as ciências humanas. As teorias, os acordos, leis e decretos, são uma espécie de lupa social que amplia algumas realidades em detrimento de outras. É Preciso compor, assimilar, revisitar, visibilizar, propor “ações” com mais e melhores ferramentas para decodificar as muitas realidades. Se a percepção da realidade passa por filtros subjetivos, faz-se necessário, diante das inequidades e do abismo social existente entre os diferentes grupos sociais, um movimento efetivo de ações que rompam com o status quo.

O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão negra, mas as relações escravagistas seguem de maneira estrutural e estruturante.

Uma das características do preconceito e do racismo brasileiro é seu caráter não oficial. Porém, este silêncio antigo não é sinônimo de inexistência, o racismo foi, aos poucos, adentrando na sociedade brasileira, primeiro de forma “científica” com o darwinismo racial, e depois pela própria ordem do costume.

Com a força da internet, os gritos de sufoco estão mais altos e chegam cada vez mais longe para abalar tais estruturas. Pensar o racismo como estrutura é tirá-lo do campo da culpa (e da desculpa) e tratá-lo na dimensão da responsabilidade política no campo pessoal e coletivo. É uma forma de “desnaturalizar” o racismo, compreendendo-o como parte da história e dos conflitos políticos.

Quando falta o ar é tempo de assunção, não se trata do devir, é o agora.

Neste sentido, vale ressaltar que a morte da população negra se dá de diferentes maneiras todos os dias: ocorre pelo genocídio, pelo epistemicídio, pelo apagamento, ausência de narrativas próprias em diferentes espaços sociais, e pela reprodução irrefletida de tais violências.

Segundo Sueli Carneiro, “A violência racial é como síndrome respiratória aguda grave, não permite respirar”.

O Sesc São Paulo, a despeito da variedade dos campos em que atua, tem seus programas alicerçados em alguns princípios comuns, como acolhimento, respeito e valorização da diversidade.

*Fabiano Maranhão é Mestre em Educação (UFSCar) e assistente técnico da Gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc São Paulo

Acompanhe a programação da ação do Do 13 ao 20 – (Re)Existência do Povo Negro, que faz alusão aos marcos do 13 de maio e do 20 de novembro, propõe diálogos sobre a condição social da população negra e objetiva reiterar os valores institucionais, bem como o reconhecimento das lutas, conquistas, manifestações e realidades do povo negro.

Clique aqui para saber mais sobre o assunto, ou acesse: sescsp.org.br/do13ao20

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